Terça-feira, Junho 21, 2005

O viés humanitário de vossa majestade.

The London morning sentinel
Berlim, 3 de dezembro de 1885:

Há uma semana, em Berlim, estiveram reunidos representantes das principais potências em uma conferência convocada pelo chanceler Otto Von Bismarck. A principal intenção de tal reunião fora promover um debate acerca do desenvolvimento dos povos africanos e quais as maneiras a serem adotadas para alcançar tal objetivo. Ponto este que foi enfatizado pelos nossos representantes, argumentando que não visavam defender meramente os interesses britânicos em territórios africanos, mas sim zelar pelo bem da civilização como um todo, pois, trata se de ume questão humanitária.

No decorrer da conferência, nossos gloriosos representantes, após atrito com o Rei Leopoldo II, da Bélgica, no que se refere as injustas taxas alfandegárias, apresentaram com muita eloqüência nossa proposta juntamente com o representante português. Tal proposta, a de enviar uma missão internacional, a fim de garantir a livre circulação de mercadorias no território e verificar as denuncias sobre os supostos abusos humanitários. Como afirmou um representante inglês: “O Congo não pode virar uma fazenda pessoal do Rei Leopoldo II”. A Inglaterra é a favor do controle do território africano para garantir o progresso e o desenvolvimento dessa raça inferior, visto que essa é uma missão outorgada por Deus a nós que somos o ícone representante do desenvolvimento ocidental. Por outro lado, a França, tentou sabotar o debate desviando a atenção dos participantes para os seus interesses coloniais no norte da África. Os EUA, inacreditavelmente, apoiaram de forma veemente a posição do Rei Leopoldo II de dar prosseguimento às táticas racistas retrógradas.

Ao fim da reunião, o Rei Leopoldo II encontrando em uma situação diplomática bastante delicada, tentou, em vão, “mover uma moção” para a “votação de um documento provisório” de um possível futuro acordo em que as outras potências ingenuamente os deixassem gerir a questão africana da maneira que melhor os convir. Os hábeis representantes dos demais países ali presentes, com exceção dos EUA, não se deixaram levar por esta inacreditável retórica. Para nós ingleses, a solução seria o desenvolvimento de políticas claras e concretas como a supracitada missão internacional, e o fim da escravidão e abusos que visem o desenvolvimento econômico e social da população africana.

Quinta-feira, Junho 16, 2005

Nova Era Mundial Segundo Perspectivas Distintas

(Comparação entre Barraclough e Mayer)
Na opinião de G. Barraclough, a Europa deixou de ser o centro da política mundial após a Segunda Grande Guerra, conhecendo sua decadência, devido a diversos fatores, dentre eles: seu desgaste durante as Guerras Mundiais, sua fragmentação política, a concentração de poder dos países extra-europeus como Rússia e EUA e os conflitos na Ásia e no Pacífico. A ascensão das duas superpotências antagônicas após o conflito, desembocou na Guerra Fria. A Europa deixou de ser o palco das decisões mundiais e o velho sistema de equilíbrio de âmbito europeu passou à mundial. Os chamados flancos, blocos continentais se estabilizaram em um mundo em que já não existiam áreas de livre manobra. Abre-se caminho para uma nova era mundial, que esteve em processo de andamento durante o século XIX. Segundo Arno Mayer, a as Guerras Mundiais também têm papel de divisores de águas no cenário internacional, visto que representaram o processo final de queda do Antigo Regime. Segundo essa perspectiva, a Segunda Guerra Mundial nada mais é do que a continuação da Primeira Guerra Mundial, e ambos seriam conflitos análogos à Guerra dos Trinta Anos no século XX. Tais guerras representavam uma reação do Antigo Regime ao capitalismo industrial.

Para Mayer, o que possibilitou a sobrevivência do Antigo Regime por tanto tempo, foi a sua possibilidade de mutação, o que permitiu que impregnasse toda a Europa, com seus legados do feudalismo. Apesar da perda de alguns cargos políticos, souberam como contaminar as demais classes com seus valores, mantendo assim influência. As classes dirigentes basicamente aproveitavam-se das vantagens econômicas oferecidas pelo capitalismo, mas cultivavam os valores do Antigo Regime. Como o autor diz, citando termos de Gramsci, havia uma “simbiose ativa entre os dois estratos da sociedade”. Conseguiram manter-se no poder graças à concessões feitas aos interesses burgueses. A influência da nobreza era assegurada nas escolas de elites, onde quem ascendesse financeiramente deveria enviar seus filhos. Assegurava-se também na manutenção dos cargos ditos de alto-escalão à nobreza. A nobreza também teve que adotar práticas capitalistas, tornando-se patrões e utilizando-se mesmo de lobbies. Houve o chamado aburguesamento dos governantes europeus, esses, contudo, não adotaram métodos que pudessem ameaçar sua posição social tradicional. Assim, não houve um reconhecimento de classe por parte dos burgueses, pois esses se entregaram a um desejo de um dia tornarem-se nobres. Patrocinaram os feitos da antiga nobreza, dando força aos seus signos, ao invés de incitar o modernismo, com apoio do Estado. O único ato isolado antes das Grandes Guerras que visava desestabilizar o Antigo Regime foi a Revolução Francesa, que as nobiliarquias souberam manipular.

Para Barraclough, partilha da África demonstrou a passagem da política do equilíbrio de poder do âmbito europeu para o global. No caso do Extremo Oriente, diferentemente da África, havia países extra-europeus muito interessados em suas questões, tais como Japão, Rússia e EUA, potências que possuíam influência no Pacífico. Tais disputas no Oriente, marcadamente entre 1898 e 1905, incitaram a rivalidade entre EUA e Rússia, mais tarde URSS, futuros atores da Guerra Fria. Os acontecimentos no Oriente marcaram o fim da ligação entre as questões européias e mundiais; a Guerra Russo-Japonesa, especialmente, demonstrou que a Europa já não possuía total poder de decisão. Contudo, a hegemonia européia ainda não estava completamente desacreditada, o otimismo devia-se: a revolução industrial e tecnológica em curso na Europa e a possível restauração do sistema europeu através do novo Império Alemão. Além de a Alemanha nunca ter conseguido atingir o patamar as potências mundiais, a industrialização e as descobertas tecnológicas estavam em ritmo acelerado na Rússia e EUA, chegando a ultrapassar os europeus; provando que o otimismo europeu não possuía bases reais. A ameaça alemã fez com que a Inglaterra voltasse seus olhos para a Europa, perdendo o controle de seus interesses mundiais, não conseguindo contrabalança-los com os seus interesses europeus. Com a volta da velha política européia de poder, pode-se dizer que a Primeira Grande Guerra resultou das rivalidades européias cultivadas há tempos, ou seja, a Guerra inicialmente não era mundial, e sim, européia. Pode-se dizer também, que a Guerra foi uma resposta alemã ao surgimento de potências extra-européias, pois objetivara o estabelecimento de Reich´s na Europa e na África. Assim, apesar de a guerra iniciar-se em solo europeu, essa foi mundial em termos de visão e objetivos. A implicação mais significativa da guerra, na Europa, foi acabar com a política de equilíbrio europeu.

Com a progressiva queda das forças de resistência da Europa, do ancien regime, os obstáculos para execução do projeto industrial foram sendo vencidos. As instituições representantes dessa antiga elite expressavam valores autoritários e hierárquicos, visivelmente expressos na Europa. No período entre 1905 e 1914, houve um remanejamento de forças para a sua manutenção de poder, ativando tensões que culminaram na Primeira Guerra Mundial, e então desembocaram na Segunda Guerra. Porém, os empecilhos europeus foram vencidos tardiamente. Ao fim da Grande Guerra, a Europa estava arrasada e foi facilmente superada pelos países não europeus, tanto industrialmente quanto em questões de oportunidades. Após a Revolução Russa, em 1917, tornou-se visível a divisão do mundo em dois blocos antagônicos. Contudo, tanto a política americana quanto a soviética rejeitavam o sistema internacional regente. As duas potências utilizaram-se do mesmo método de apelar ao mundo, tornando-se concorrentes. Os ideais leninistas de revolução mundial receberam como resposta os Quatorze Pontos de Wilson, opondo-se a rebeldia contra o imperialismo e a união do proletário com princípios como a autodeterminação e o voto do homem comum. Apesar das tentativas do Japão de Tojo e da Alemanha de Hitler, a primazia continuava a ser soviética e americana. Assim, a ascensão da Rússia e dos EUA e a decadência européia iniciam uma nova era mundial, na qual Barraclough acredita estar inserido.Em relação à Nova Era Mundial, a diferença fundamental de suas concepções é que para Mayer acredita que essa Nova Era foi possibilitada, principalmente, pela queda das potências européias, enquanto Barraclough acredita que essa foi possibilitada, sobretudo, pela ascensão de novas potências independentes dos acontecimentos europeus.

Quarta-feira, Junho 15, 2005

"O dia das pequenas nações já passou há muito, chegou o dia dos Impérios"

1-Uma frase de G. Barraclough resume a diferença entre as duas Revoluções Industriais: “o fator primordial de diferenciação, separando a primeira idade da segunda, foi o impacto do progresso científico e tecnológico na sociedade, quer nacional, quer internacional”. A Primeira Revolução Industrial, mais do aprimorar os meios produtivos já existentes, formou um novo meio de produção, que saiu do seio familiar e do campo; instaurou a produção em larga escala e consequentemente começou a procurar mais consumidores. A Segunda Revolução, foi mais avassaladora em suas conseqüências, que configuram o mundo mais próximo do que conhecemos hoje.As indústrias criaram necessidade de matérias-primas vindas de todo o globo, os grandes conglomerados industriais se formaram e a urbanização ganhou proporções muito maiores. Essas transformações finalmente tiveram peso na vida das massas. Sobre elas, Barraclough diz que foram o “divisor de águas entre s História moderna e a contemporânea”.

2- O imperialismo deve ser analisado como fenômeno complexo que envolve novidades como capital financeiro, trustes, cartéis, monopólios, e vai muito além da política externa. Ter colônias tornou-se fundamental para uma potência, mas numa lógica diferente da mercantilista, a capitalista. Pode-se dizer que o fundamento de Adam Smith e David Ricardo foi abandonado de um lado, porque o Estado voltou a intervir na economia e a livre-concorrência foi afetada; e confirmado em outro, no de que cada país acabaria se especializando na produção, o que foi verdade pelo menos para a periferia. Hobsbawn discute a diferença entre sua análise e a de antiimperialistas, inclusive Lênin, que enfatiza o que já era de se esperar dado o materialismo histórico, a preponderância da economia. Lênin revela as características chave do fenômeno destacando a conseqüência dele para a luta de classes. Hobsbawn descreve todas as esferas envolvidas, embora admita uma maior influência da economia.

CONCLUSÃO: Espero que tenha ficado clara nas duas respotas a relação muito próxima que há entre os dois fenômenos, a Segunda Revolução Industrial e o imperialismo, sendo muito difícil identificar quando começa um e termina o outro. As drásticas mudanças trazidas pela Segunda Revolução Industrial criaram necessidades que foram saciadas pelo imperialismo.

Sábado, Junho 11, 2005

2a. Revolução Industrial

Responda as questões abaixo e responda até QUARTA-FEIRA 15/06.

1. Diferencie a 1a. da 2a. Revolução industrial enfatizando o impacto de ambas na configuração do Sistema Internacional (G. Barraclough).

2. Defina Imperialismo, e discuta as definiçÕes de Lênin e Hobsbawn.

LIMITE: 1 paragrafo cada questão e mais um parágrafo de conclusão relacionando ambas as questões. Máximo de 15 linhas cada parágrafo.

Terça-feira, Junho 07, 2005

O Impacto das Unificações Tardias:

(Resenha: A Europa antes e depois de Bismarck)

Com o desgaste do Sistema de Metternich, a política internacional ganhou um novo feitio. A raison d´etat do Cardeal Richelieu perdeu lugar para o termo alemão Realpolitik, elaborado por Otto Von Bismarck, usado para designar a política sem restrições de equilíbrio de poder, em que nas relações entre os países, o poder bruto dita as regras. A moralidade ditada pelo Sistema de Metternich e o conceito de que os Estados se aproximavam graças à congruência de opiniões entre os líderes, perderam importância após a Guerra da Criméia. Dentro de tal contexto, os franceses perderam sua posição de importância para a Alemanha. O papel da França foi essencial para a concretização de tais acontecimentos. A França esteve ao lado do nacionalismo italiano enquanto este se manifestou no norte da Itália, guerreando com a Áustria, em 1859. Esperava-se que a Itália seria um país forte no futuro. Em troca da unificação italiana, receberiam como recompensa Nice e Savóia. A Inglaterra considerou tais anexações francesas ao fim do conflito um recomeço de conquistas napoleônicas e não apoiou as iniciativas de Napoleão para estabelecer um Congresso Europeu. A Prússia soube aproveitar tal desordem européia para iniciar planos concretos de unificação, Bismarck considerava que a Guerra enfraqueceria o papel da Áustria na Alemanha. Além disso, o Imperador tentou convencer a Rússia a conceder o reivindicado pelos rebeldes poloneses, o que foi rejeitado. Então, apoiou a Revolução Polonesa, causando mal-estar com o Tzar, desistindo somente quando isso representou perigo para a França. A Guerra Austro-Prussiana foi estimulada pela França, que estava certa da derrota da Prússia. Permanecendo neutra, esperava os “prêmios” que receberia da Prússia em troca, como a aceitação da conquista francesa da Bélgica. Com a vitória prussiana, restou ao país o papel de mediador. Logo depois, Napoleão provocou o rei prussiano pedindo garantias de que o trono espanhol não seria ocupado por sua dinastia, Rei Guilherme, negou-se. Através das alterações feitas por Bismarck nos despachos do Rei, a opinião pública francesa pressionou para que a Guerra Franco-Prussiana acontecesse. Com a ajuda dos demais Estados da Alemanha, os prussianos venceram. A anexação alemã do território da Alsácia-Lorena, contribuiu para o sentimento do revanchismo francês, concretizado na Primeira Guerra Mundial. Assim, a política confusa, sem objetivos concretos de Napoleão, que causou tumulto na Europa, criou o ambiente para tais anexações.

Bismarck soube aproveitar genialmente as oportunidades que pudessem fortalecer o papel da Prússia na Alemanha e manipulou da mesma forma seus adversários. O Sistema de Metternich havia prejudicado o projeto de unificação alemã da Prússia, visto que preservou o papel dos inúmeros pequenos soberanos alemães na Confederação Germânica. Antes de Bismarck, pensava-se que a unificação alemã só ocorreria através do parlamento e constitucionalmente. A Confederação Germânica só agia em conjunto quando havia uma ameaça externa, como por exemplo, a ambição da França. A postura da Prússia, principalmente durante a Guerra da Criméia, reforçava a convicção de Napoleão de que essa era realmente fraca e incapaz de grandes ações. Durante a Guerra entre a França e a Áustria, criou-se um sentimento antifrancês muito intenso, que a Prússia soube tirar proveito para a união. Além disso, quanto maior era o temor em relação à França por parte dos austríacos, mais vantagens e concessões a Prússia adquiria da Áustria. A Prússia e a Áustria se uniram contra a França, diante da ameaça em relação aos ducados de Elbe de Schleswig e Holstein, que possuíam vínculos com a Dinamarca e eram membros da Confederação. Com a morte do governante e a inação da França, resolveram as questões em relação aos ducados e ocuparam Schleswig-Holstein. Contudo, Bismarck era ambicioso e não queria dividir o poder na Alemanha. Então, travou-se a Guerra Austro-Prussiana, a qual a Prússia venceu com facilidade. No Tratado de Praga de Agosto de 1866, a Áustria teve que se retirar da Alemanha. Dois Estados austríacos foram anexados pela Prússia e Frankfurt. O sucesso militar da Prússia e outros Estados durante a Guerra Austro-Prussiana, deve-se, em grande parte, aos detalhados planos militares antecedentes à guerra, ao crescimento político e econômico. Tal crescimento foi proporcionado pela expansão industrial, facilitada pela produção de carvão, principalmente, ferro, proveniente de territórios como Lorena; sem perder de vista o desenvolvimento da indústria química. Com a unificação do território, os entraves ao comércio entre os Estados foram removidos, possibilitando, após a Guerra, uma explosão de investimentos. O poder da Alemanha fundamentava-se em sua indústria e população. A mão-de-obra crescente nas cidades possibilitava a expansão do proletariado. As áreas industriais desenvolveram-se, podendo destacar as fábricas de armamento localizadas em Ruhr, região de importância até os dias de hoje. A vitória militar prussiana foi possibilitada, dentre outros fatores, à adoção do serviço militar obrigatório, o que possibilitou uma força mais potente.Em oposição aos princípios liberais, um rei prussiano foi coroado ao final do processo de unificação. O Estado adotou o sufrágio universal na eleição do Parlamento Imperial, que efetivamente não controlava o executivo, dando uma impressão de falsa democracia. Além disso, Bismarck retirou o exército da influência do Parlamento, limitando o controle orçamentário desse. Reforçando, com tais medidas, que a Alemanha não era um Estado liberal. Após o sucesso do projeto de unificação, a política externa de Bismarck passou por uma mudança significativa. Essa, assumiu uma posição de isolamento aparente, podendo, assim, vender seu apoio aos outros países; seus verdadeiros interesses limitavam-se às fronteiras alemães. Assim, sua política externa nos anos seguintes foi prudente e estabilizadora. Diante de tais indícios de poder, tanto militares quanto econômicos, apesar da falta de participação popular interna, a Alemanha conservadora, até 1890, possibilitou a preservação da paz no continente. O grande erro de Bismarck, contudo, foi que seus feitos não puderam ser absorvidos pela sociedade como um todo; como o próprio Kissinger diz: “sua grandeza era inassimilável”.

O Risorgimento italiano teve como líderes Cavour, Garibaldi e Mazzini, que contribuíram para a unificação de diferentes formas. Cavour, ministro do Rei, expulsou a Áustria da Lombardia; Garibaldi derrubou os Bourbons em Nápoles e reuniu os Estados centrais em um novo reino. Na vitória prussiana contra a Áustria adquiriram Veneza. O ultimo grande desafio italiano era a cidade de Roma, sob a soberania do Papa. Assim, com a derrota francesa pelos prussianos, as tropas italianas ganharam a cidade, sendo a questão resolvida quando o Vaticano tornou-se um Estado independente de soberania da Igreja, em 1929. Apesar do desejo expansionista herdado do Império Romano e o status adquirido com a conquista de Roma, faltaram os recursos financeiros e militares para concretizar um sonho de grandeza. Além disso, a falta de matérias-primas restringiu o desenvolvimento industrial do país, sem esquecer da dicotomia entre norte e sul, um norte em que: a indústria se expandia, a agricultura era rica e os métodos agrícolas modernos; contrastando com o sul: muito pobre,que sofria com a concorrência nortista. Diante de tal divisão, era impossível o estabelecimento de um sistema político coerente no país.

Assim, a unificação alemã e italiana afetou de diversas formas a balança de poder da Europa. A Áustria perdeu territórios de imensa importância, enfraquecendo-se. Buscou a aproximação com a Hungria, formando uma Monarquia Dual: Império Austro-Húngaro. Era um país muito diversificado: várias raças e diversos níveis de desenvolvimento econômico. Além disso, diversos movimentos e idéias estavam surgindo em Viena, como o ideal de “auto-determinação” nacional. O nacionalismo foi o causador da Revolta Grega, da Restauração da Polônia, revoltas no Império Otomano, etc. Na Irlanda, as forças nacionalistas se indispunham no Parlamento, o que causou uma descentralização do Reino Unido e ameaça de guerra civil. A Inglaterra, por sua vez, possuía como prioridades de sua política externa a manutenção da neutralidade belga, a proteção das fronteiras da Índia e de suas rotas. Durante o período, somente a Rússia representou perigo aos ingleses por questões de rotas para a Índia e ambições na China, e antes disso, a Guerra da Criméia. A Rússia estava isolada do Ocidente como a Espanha, e diferenciava-se enormemente da Europa na sua estrutura hierárquica e exclusão de idéias ocidentais, apesar dos progressos industriais, do exército e outros. Durante a Terceira República, que refletiu o conservadorismo da sociedade francesa, esta pôde superar as perdas materiais e se recuperar da humilhação que sofreu; além da recuperação militar. Demonstrou-se como berço da cultura ocidental e, retomou seu lugar de potência. Uma vez que a idéia de auto-determinação nacional foi aceita como base da organização internacional, pequenos Estados puderam ser autônomos, causando diferenças na balança de poder e dando-lhes uma importância não justificável, como afirmou James Joll em certo trecho de seu livro.

Quinta-feira, Junho 02, 2005

O Manifesto do Sistema Mundo Moderno

O papel do Manifesto do partido comunista nas relações Internacionais foi muitas vezes descartado por teóricos das diversas correntes das ciências sociais e Relações Internacionais. Fazendo um contraponto a esse establishment teórico a cerca de Marx, o Cientista Social Luis Fernandes em seu artigo “O manifesto Comunista e o “Elo Perdido” do Sistema Internacional”, ressalta a clara contribuição do “manifesto” para a constituição de um sistema mundo moderno. Na sua concepção Marx e Engels demonstram através das rupturas históricas, presentes na filosofia clássica alemã, o surgimento do sistema mundo moderno, fruto de um capitalismo global e expansivo que saiu do noroeste europeu e criou um mercado único global. O grande mérito do “manifesto” esta em articular as contradições presentes no capitalismo em seu estagio inicial na Europa. Como afirma Luis Fernandes ao mesmo tempo a transição para o capitalismo cria um sistema transnacional, composta por uma matriz de produção lançada a um mercado global em formação, e constitui também um sistema internacional integrado por “Estados centralizados soberanos, inicialmente apenas na Europa”.

O sistema mundo moderno, como é revelado no Manifesto, está intimamente relacionado à expansão global do capitalismo, que de forma “fulminante e avassaladora” suplantou e subverteu experiências culturais e sociais distintas de baixo de uma lógica de mercado único capitalista “ocidental”. Esse processo acima descrito foi resultado da intensificação dos fluxos comercias presentes nas empreitadas mercantilistas das potências européias nos quatro cantos do mundo. A criação desses novos mercados e fluxos de capitais tornou obsoleto a antiga produção agraria de subsistência presente no feudalismo iniciando assim o processo de transição entre o feudo local para a lógica de produção manufaturera transnacional das grandes industrias capitalistas do século XIX. O outro lado da historia, como ressalva Luis Fernandes, está na forma como o manifesto explica a partir desta mesma lógica de acumulação capitalista o surgimento de um sistema internacional. A nova burguesia, fruto dessa ruptura histórica, tornou se cada vez mais poderosa no cenário político devido à suas grandes concentrações e de riquezas e propriedade e a dispersão da antiga classe aristocrática arquitetou o Estado- nação como um ambiente seguro e favorável à lógica de produção capitalista moderna. Como obersevam Marx e Engels no manifesto “ os poderes da antiga sociedade feudal foram reunidos em uma só nação, com um só governo, uma só lei, um só interesse nacional de classe, uma só barreira alfandegária”. Para Luis Fernandes o reconhecimento desses espaços soberanos no tratado de Vestfália em 1648 deu origem ao sistema internacional moderno.

Luis Fernandes vê, porem, uma falia na metodologia empregada por Marx e Engels no desenvolvimento desse mundo moderno Janus bifronte. O texto se concentra na face transnacional do mundo capitalista. Marx considera “a Inglaterra [como um] país típico do desenvolvimento econômico da burguesia”,[destinado] a criar o mundo à sua imagem e semelhança”. Para o luis fernandes isso pressupõe uma convergência global para padrões econômicos, políticos, sociais e culturais únicos , ou seja , o manifesto faz um diagnostico do que hoje é chamado de globalização, mas ao ser ver, apresenta uma visão que para os padrões de hoje aparenta ser muito exagerada. O mercado mundial ainda tem uma forte dependência no Estado nacional. As culturas do globo são todavia distintas umas das outras apresentando traços locais e nacionais. Nesse contexto fica difícil falar se em uma cultura universal. Uma forma mais clara de se entender os sistema mundo moderno é combinando esses dois processos e não sobrepondo um ao outro- “a interação de mercados globais e a globalização da forma política do Estado soberano que dá ao sistema internacional a sua configuração contemporânea, marcada por uma distribuição extremamente desigual do poder político, militar, diplomático e econômico”. Contudo, essa afirmação de Luis Fernandes não parece ser mais valida em 2005. Apesar do aparente ressurgimento de algumas forças nacionalistas conservadoras como o atual governo Norte Americano e a recente rejeição da constituição européia tanto na franca como na Holanda, sendo essa uma reação temporária ao longo processo de dissolução das soberanias nacionais, O sistema mundo moderno parece caminhar para o modelo transnacional do capitalismo proposto por Marx e Engles. A China, por exemplo, é um país politicamente Comunista, mas, no âmbito econômico, cada vez mais segue ao padrão ditado pelo capitalismo mundial. Atualmente o capitalismo também se expande em sua forma política através da democracia liberal, que toma à forca territórios antes fechados à lógica “ocidentalize se governar, como um exemplo a tentava americana de instituir à força uma democracia no Iraque.

O manisfeto comunista apresenta uma narrativa histórica da criação do sistema moderno utilizando se das articulações entre os sistemas tranacionais e internacionais analisando as complexas relações entre o interno e externo. Nele estão presentes também ligações entre o político, social e econômico. Justamente essa virtude do manifesto tornou o imperceptível aos olhos lógicos, compartimentalizados e institucionalizados dos moderno teóricos das relações internacionais. O grande mérito desse texto foi que 150 após Marx e Engles terem escrito no continua como um diagnostico confiável do atual mundo capitalista moderno.

Terça-feira, Maio 31, 2005

"Se Baña en Sangre de Héroes la Tierra de Colón"

O processo de independência da Colômbia se fez sob a direção de setores comerciantes criollos que visavam a liberdade de comércio com todas as nações, mas particularmente a Inglaterra. A independência foi finalmente consolidada após a batalha de Boyaca em 1819 criando a República da Gran Colômbia. Em 1863 duas regiões se separaram da Gran Colômbia, que hoje, são as repúblicas da Venezuela e do Equador. Em 1903 a região do Panamá também se separou constituindo a República do Panamá. A vida política colombiana no século XIX apresentava uma certa estabilidade constitucional se comparada à outros países latino americanos. Não houve ditadores como na Argentina e no México e os Golpes de Estados se Restringiram a três. Porem haviam varias instabilidade políticas nos âmbitos regionais da Colômbia. Ocorreram oito guerras civis e duas guerras externas com o Equador por causa das fronteiras. Nesse meio termo houve um domínio quase absoluto do partido conservadores apoiados pelas ideologias reacionárias da Igreja Católica.

Em 1849, depois do domínio quase absoluto dos conservadores, os liberais chegaram ao poder com José Hilário López e, até 1885, mantiveram sua hegemonia política, com breve intervalo. O governo liberal de López pôs em prática uma série de medidas preconizadas pelo programa de seu partido. Em 1850 promulgou-se uma lei de descentralização das rendas públicas. Também em 1850 os jesuítas foram expulsos novamente, pois, tendo voltado à Colômbia em 1844 (depois de sua expulsão no século XVIII), haviam se ligado fortemente aos conservadores. Em 1851 a escravidão foi abolida e as travas impostas ao comércio do tabaco foram eliminadas, assim como todos os impostos de exportação. Outras medidas incluíam o livre acesso a educação, fim do ensino religioso obrigatório. Em 1853 o Estado oficialmente se separou da Igreja Católica. A partir de 1855 a Colômbia era um Estado sem religião oficial. Essa questão foi duramente criticada pelos conservadores , que não aceitavam as propostas “materialistas” dos liberais em lugar das “coisa do espírito”. O liberalismo desse período representava os interesses básicos da burguesia comercial. Essa medidas impostas pelo governo liberal de López e continuada pelo governo de Tomas Cipriano Mosquera visavam uma liberalização do comércio colombiano, principalmente o exterior. Um Estado leigo aos olhos dos liberais seria mais capaz de se inserir no âmbito do comércio internacional.

Contudo houve vários impedimentos ao crescimento econômico durante os governos liberais. Em 1853, os artesãos, cuja produção estava sendo cada vez mais prejudicada pela concorrência da produção inglesa, decidiram apresentar ao governo liberal, ao qual tinham dado apoio de forma decisiva à época das eleições, uma solicitação de aumento das tarifas aduaneiras. Com a negativa do Parlamento, começou uma insurreição nas ruas de Bogotá. O general José Maria Melo, ligado aos setores populares de Bogotá, liderou um golpe com o apoio dos artesãos, em 17 de abril de 1854. Elevou as tarifas aduaneiras e exigiu empréstimos dos ricos proprietários de Bogotá para resolver os problemas fiscais. Contra ele, comerciantes e fazendeiros uniram-se, armaram um exército e o derrubaram, em seguida, uma repressão sangrenta. Na memória dos setores dominantes ficou a imagem dessa rebelião, ligada às idéias dos socialistas utópicos, como um fantasma atemorizante.

Os conflitos sociais se agravaram que juntam metendo com o declínio das exportações e da produção de tabaco acarretaram numa economia enfraquecida e volátil. Entretanto, esse Estado liberal entrou em crise nos anos 70. Um novo projeto, chamado de Regeneração, com uma marca conservadora bastante evidente, veio pôr em cheque o Estado liberal. O lema dessa nova investida conservadora propunha se “sacrificar a liberdade para conseguir o desenvolvimento econômicos”. A Igreja voltou a ter seus bens e a religião Católica voltou a ser oficial. O poder era novamente centralizado nas mãos do executivo. Os grandes fazendeiros do café foram os patrocinadores desse projeto centralizador, que pretendia desenvolver um sistema barato e estatal de crédito e garantir uma infra-estrutura de exportação. Do ponto de vista político os senadores e o presidente passaram a ser eleitos pelo sufrágio indireto. De forma muito diferente da ocorrida no México, na Colômbia as idéias positivistas pouco penetraram. Ideologicamente, a Igreja foi a vencedora e em nome dela propunham-se o progresso material e o advento da "civilização das luzes". As classes proprietárias viram na Igreja conservadora a única força ideológica capaz de manter a ordem social. É importante frisar que até hoje a influência da Igreja na Colômbia é extraordinária e que ela se destaca, no quadro das Igrejas da América Latina, como uma das mais conservadoras e tradicionais. O fim do século XIX na Colômbia foi marcado pelo o retorno do poder absoluto dos conservadores presentes na política colombiana desde 1819.

"Já podeis da Pátria Filhos/ Ver contente a mãe gentil;/ Já raiou a liberdade/ No horizonte do Brasil"

Ontem, dia 7 de setembro de 1822, o Brasil tornou-se independente de Portugal. Dom Pedro, que há muito resistia às medidas antiliberais vindas de seu país de origem, bravamente proclamou a independência. O nosso jornal ouviu com exclusividade o testemunho do mensageiro Paulo Bregaro, mandado por José Bonifácio para colocar o príncipe-regente a par das notícias recém-chegadas da Corte, com seus comentários e os de Dona Leopoldina, que o substituía em sua ausência: “consegui encontrá-lo a tarde, quando ele retornava de Santos, às margens do riacho Ipiranga. Ao ler as notícias, irritou-se, e bradou a os gritos de “Independência ou Morte”.

A reação de Dom Pedro marcou um processo que se iniciara com o enfraquecimento do sistema colonial, o que ficou claro em movimentos como a Inconfidência Mineira de 1789, a Conjuração Baiana de 1798 e a Revolta Pernambucana de 1817. A instalação da Corte portuguesa no Brasil em 1808 contribuiu de maneira definitiva para esse processo. As ações tomadas por Dom João em virtude dessa mudança também foram importantes para cortar os vínculos coloniais e integrar o país aos principais centros econômicos do desenvolvimento capitalista, especialmente estreitando os laços com a Inglaterra: a Abertura dos Portos às “nações amigas”, a revogação da proibição de se instalarem manufaturas e indústrias, os Tratados de 1810, a elevação da colônia a Reino Unido e Algarves, entre muitas outras. Contudo, a Revolução do Porto em Portugal levou Dom João VI de volta ao continente europeu e mostrou as intenções lusas antiliberais em relação ao Brasil ao buscar recuperar seus interesses comerciais. É exigido também o retorno de Dom Pedro, que anunciou que não o faria no dia 9 de janeiro deste ano, dia que alguns já chamam de Dia do Fico. A partir daí, uma série de medidas foram tomadas dos dois lados, criando um estado de tensão que teve seu auge no dia de ontem, com o rompimento definitivo.

A notícia da independência não causou grande espanto. Pelas ruas da cidade, discute-se sobre qual será a reação lusa. Em relação ao futuro do país, um proprietário de terras que fez questão de ressaltar a importância da colaboração entre Dom Pedro e o Partido Brasileiro, comentou: “finalmente nos soltamos das amarras coloniais que procuravam acabar com a autonomia que nos havia sido concebida. Aquilo era inadmissível. Finalmente o Brasil poderá se integrar ao cenário internacional e desenvolver plenamente seu potencial”. No momento, várias questões estão em aberto, e fontes do governo nos contam que as próximas preocupações são como obter o reconhecimento internacional da independência e a elaboração de uma constituição. Aconselhamos ao leitor que se mantenha atento ao desenrolar dos fatos, pois, embora haja atualmente inúmeras incertezas, é certo que estamos vivenciado dias históricos para a nação brasileira.